O diagnóstico do câncer pode afetar a espiritualidade do paciente de forma positiva ou negativa, se uma pessoa ao receber o diagnóstico pode aproximar-se mais de Deus, apoiar-se em pessoas religiosas e buscar coragem e otimismo para enfrentar a doença e tratamentos. Outras podem questionar e se revoltarem contra tudo em que ou quem acreditam. Surgindo então perguntas como: Por que isso está acontecendo comigo? O que eu fiz ou deixei de fazer para merecer passar por tudo isso?
Existe diferença entre espiritualidade e religiosidade, a espiritualidade refere-se a crença em algo superior, uma força, uma energia, comumente chamada de Deus, e, a crença nessa força superior daria sentido à vida e à morte. A conexão com Deus, ou como queira chamar, proporciona esperança, confiança e fé para o enfrentamento de acontecimentos estressantes e dolorosos. Uma pessoa que compartilhe desse conceito não precisa participar de nenhuma religião organizada ou institucionalizada. Por outro lado, religiosidade implica necessariamente na participação em uma comunidade religiosa institucionalizada onde seus membros participam de rituais e, compartilham de regras e credos específicos.

A espiritualidade pode ajudar o paciente durante o tratamento oncológico, proporcionando sentimentos de confiança, esperança e proteção. Crendo que existe uma força superior, Deus que está acima de tudo, de todos e, que tudo pode, tudo provê. Por pior que seja o prognóstico, Seu poder, Seu amor podem curar. Sabemos que o diagnóstico de câncer pode provocar mudanças importantes no paciente, entre elas na sua espiritualidade. Para resgatar a espiritualidade perdida durante o tratamento oncológico é preciso não confundi-la com regras e crenças religiosas que necessariamente não proporcionam fé e sentido diante dos acontecimentos que vivemos. A espiritualidade de verdade nunca se perde, muitas vezes acontece que a pessoa dá um tempo na participação de rituais ou rezas, mas no fundo sabe que tem para quem recorrer quando quiser. Sabe também que Deus nunca abandona ninguém. Pode sim, surgir um sentimento de raiva ou revolta que denominamos de sofrimento espiritual que precisa ser resolvido. Necessariamente não quer dizer que a pessoa tenha perdido totalmente sua fé.
Em primeiro lugar é preciso identificar:
Em primeiro lugar é preciso identificar:
- Quem é Deus para aquela pessoa?
- Qual tem sido sua relação com Ele?
- Quantas vezes sentiu Seu apoio e Sua presença em sua vida?
- Essa crença trouxe esperança, vontade de lutar diante das dificuldades?
- Tornou você mais forte?
Caso a resposta seja sim, a melhor dica talvez seja você ter a coragem de falar para Deus toda sua revolta. Todas as suas dúvidas e medos. Afinal, a gente só briga com quem a gente se importa e acredita que vale a pena resgatar a amizade e confiança. E, finalmente dizer como é importante a presença Dele durante todos os tratamentos.
PSICO- ONCOLOGIA E ESPIRITUALIDADE
O trabalho de psico-oncologista frente aos pacientes com câncer tem por objetivo despertar e maximizar os recursos emocionais, sociais e espirituais do paciente e sua família para enfrentar com sucesso a doença e seus tratamentos. Trata-se de terapia breve focada na força de enfrentamento de cada um. Para isso são usadas estratégias cognitivas por meio de conversas quando pensamentos negativos são confrontados e substituídos por outros que favorecem a resolução de problemas e trazem esperança e bem-estar.
Além disso, diversas técnicas podem ser utilizadas dependendo da necessidade de cada pessoa. Entre essas técnicas, podemos citar a arteterapia, a imaginação ativa ou as visualizações, além das técnicas para relaxamento e energização.
Maria da Gloria Gonçalvez Gimenes
Psico-Oncologista
Colaboradora convidada pelo Instituto Oncoguia Fonte: http://www.oncoguia.org.br









































